Desde os 17 anos, trabalho com isso. Já fui auxiliar de cozinha, cozinheira, confeiteira, chefe de cozinha, tive restaurantes. Hoje, sou consultora, professora de gastronomia, pesquisadora e, também, padeira. Não gostaria de escolher uma dessas atividades nem acho que conseguiria.

Sou tudo isso, junto e reunido.

Desde sempre, fui muito gulosa e esfomeada, em particular, por duas coisas: comida e conhecimento. Por elas, viajei pelo mundo e pelos livros, e segui também o caminho da educação.

Formei-me na França, pois admiro demais a capacidade técnica da cozinha francesa. Lá, tive a oportunidade de trabalhar com chefs que foram mestres, em restaurantes estrelados. Também aprendi a importância e o sabor que só os produtos locais têm.

 

Os livros são meu ponto fraco. Minha biblioteca já é bem grandinha, mas tenho muita dificuldade de passar incólume por uma livraria. Já paguei um bocado de frete ou excesso de bagagem para levar livros de gastronomia, com suas lombadas e capas avantajadas, de um lado para o outro.

 

Já a educação formal me levou a estudar e projetar a relação das pessoas com a comida. Hoje, no meu Doutorado em Design, busco estratégias em que cozinhar, comer e dividir a mesa sejam propulsores de uma sociedade mais igualitária e convivial. Acredito, a fundo, no poder transformador de compartilhar a comida.

 

Confesso que, ao longo da vida, essa "fixação" em comida me deu muitas alegrias e prazeres, e também fez com que eu travasse uma briga eterna com a balança. Por isso, desde muito cedo, entrei no mundo das dietas.

Por muito tempo, tive um alimento proibido em minha vida: o pão. Por ironia do destino, minha mãe nunca foi muito da cozinha, mas era capaz de preparar cada sanduíche! Isso me causava um enorme de um sofrimento, pois sempre amei aquele carboidrato maravilhoso. Eram momentos lindos. mas recheados de culpa.

 

Felizmente, uma sucessão de acontecimentos mudou completamente a minha relação com o pão.

 

Sempre gostei dos livros do Michael Pollan. Quando ele lançou o Cooked, rapidamente consegui uma cópia. Naquele momento, eu não fazia ideia de como aquela leitura mudaria a minha vida. Foi amor à primeira página.

 

Sua história sobre fermentação me levou a fazer em casa as mais diversas tentativas de fermento natural. Tinha diversos potinhos com várias misturas. Ficava encantada com a naturalidade daquelas borbulhas e encafifada com sua morte súbita. O que se converteu em uma obstinação louca para conseguir manter vivos aqueles fermentos malditos. Demorou, mas consegui.

 

Foi nesse mesmo período que perdi meu pai. Foi um choque, totalmente inesperado. Ele tinha apenas 59 anos, muita vontade de viver e nenhum sinal de que nos deixaria tão cedo. Como ele vivia na França com os meus irmãos, viajei às pressas para me despedir. Na volta, percebi que o meu fermento também havia morrido.

 

Fazê-lo renascer me ajudou demais a passar pelo processo de luto. E também a entender as mais diversas dimensões do tempo e da paciência. 

O pão, de alguma forma, fez com que retomasse a esperança na vida. Com ele, renasceu em mim algo que descuidei com o tempo apressado da vida adulta: a habilidade de ver a beleza nas coisas mais simples e singelas da vida.

 

Com o pão, surgiram outras conexões que se tornaram superimportantes nessa nova fase: a ayurveda e a yoga. Eu já praticava yoga desde os 17 anos. Só que sempre tive muita dificuldade de adquirir a disciplina necessária para a sua continuidade, ainda mais com as rotinas malucas de cozinha. A ayurveda surgiu nas muitas conversas com a minha querida professora de yoga. Foi um momento repensar a minha forma de viver,  relação com a saúde, com o consumo excessivo de carne etc.

Na cultura regional e familiar, bem gaúchas, sempre consumimos muita carne. Vivi boa parte da minha vida no sitio da minha família. Lá criávamos gado, cabra, porco, galinhas. Aprendi com meus avós sobre a cuidar dos animais e, nessa lida de campo, de abatê-los e cozinhá-los com  dignidade. Muitas vezes, tinha dificuldade de comê-los, sobretudo as cabras, que eu dava mamadeira quando pequeninas e conhecia-as pelo nome. No entanto, minha avó sempre dava um jeito de me fazer comer, disfarçava, contava uma história e eu, sem me dar por conta, acabava comendo, bem feliz.

 

Nessa época, também aprendi o valor de plantar aquilo que ia para a mesa. No final das contas, aprendi com a minha família que a comida é uma forma de cuidado e de afeto. Esse cuidado e afeto foram alimentando os meus dilemas. A ayurveda me mostrou a beleza de uma alimentação com menos carne, baseada na proteína vegetal e nos cereais. E, principalmente, fez-me ver que o pão não é um vilão. Pelo contrário, um bom pão, natural e orgânico, pode ser parceiro de uma vida mais saudável, sem dietas, de bem com o meu corpo e com as minhas escolhas.

 

Um dos resultados dessas escolhas é a todavida, construída com o propósito de oferecer ao mundo produtos que são bons para a alma e para o corpo. Para a alma porque são gostosos e podem ser compartilhados com a família e com os amigos. Para o corpo porque são desenvolvidos como fonte de saúde e bem-estar.

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